Arte mídia e as tecnologias de comunicação para
a expressão gráfica.
A arte mídia é uma forma aportuguesada do inglês
media arts, e designa “formas de expressão artística que se apropriam de
recursos tecnológicos das mídias e da indústria do entretenimento em geral”,
além de compreender quaisquer “experiências artísticas que utilizem os recursos
tecnológicos recentemente desenvolvidos” (MACHADO, 2007).
Em
acepção própria, a arte mídia é algo mais que a mera utilização de câmeras,
computadores e sintetizadores na produção de arte, ou a simples inserção da
arte em circuitos massivos como a televisão e a internet. Quando entendemos de mídia em seu sentido
nato, até as pinturas das cavernas do Paleolítico Superior são uma mídia, pois
era assim que os primitivos comunicavam ou registravam os eventos que
aconteciam em sua época, através de suas expressões artísticas.
Muitas vezes nos enganamos quando pensamos que
a concepção de arte mídia fica apenas em restringir sua aplicação às mídias
eletrônicas de comunicação em massa. Contudo, arte mídia pode ser qualquer
forma de expressão que utiliza as tecnologias existentes atualmente, vai desde
a fotografia, passando pelo cinema até a videoarte, além do computador no campo
da Infográfica. Segundo Arlindo Machado “A arte sempre foi produzida com os
meios de seu tempo”. E assim como Bach e Stockhausen, que “buscavam extrair o
máximo das possibilidades musicais de instrumentos recém-inventados e que davam
forma a sensibilidade acústica de suas respectivas épocas”, outros artistas tem
se esforçado em fazer o mesmo com os meios atuais.
A
produção industrial de imagens se enquadra em um contexto de conhecimento e de
economia que revela suas associações com a ciência, originando processos de
reconstituição, intercâmbio, montagem e colagem, possibilitados pelas
tecnologias associadas à fotografia, ao cinema, à televisão e ao vídeo. A
criação industrial de imagens baseia-se na produção maquínica de uma matriz de
representação e a consequente reprodução em massa de cópias. A fotografia e o
cinema, junto à gravura, correspondem às “imagens técnicas” (MACHADO, 1994, p.
09), por produzirem suas representações imagéticas a partir de ferramentas que
unem a produção de imagem ao uso de dispositivos técnicos. Na produção
pós-industrial, são utilizados processos e dispositivos de natureza numérica
(infografia e computação gráfica), também chamada digital, e fotônica
(holografia) para a produção de informações visuais, verbais e sonoras, que são
exibidas através dos mesmos aparatos técnicos utilizados na produção (Idem).
Benjamin (1994 [1936]) considera que a
reprodução técnica reconfigurou a arte após as investidas que a fotografia e o
cinema operaram sobre a expressão artística. Desde o seu surgimento, ambas as
expressões geraram uma alteração no estatuto da arte que passou a compreender
também os domínios das “artes tecnológicas”. Couchot (2003, p. 19) afirma que o
surgimento de uma técnica não é fator determinante para o surgimento de uma
nova forma de arte, mas a técnica impõe diretrizes que moldam uma nova percepção
e oferece condições para uma nova lógica figurativa, que pode gerar uma nova
expressão artística.
As tecnologias da televisão e do vídeo darão
mais um passo na automatização dos processos de criação e reprodução das imagens.
A imagem da televisão e as técnicas do vídeo coletivizam as imagens ao permitir
que diferentes lugares em diferentes momentos assistam a uma mesma
representação imagética. A transmissão ao vivo da TV baseia-se na sobre apresentação
(COUCHOT, 2003, p. 82) e o advento do videoteipe permite a reprodução de
imagens em um espaço-tempo distinto daquele em que acontece a transmissão da
imagem. Esses dois aspectos permitem uma intensificação da percepção do real
através das imagens das mídias por passarem a sensação de que exibem o real
exatamente como ele é no momento da transmissão.
A utilização dos meios de comunicação na
expressão artística é vista como uma característica inerente à arte: a de
sempre utilizar os meios técnicos de seu tempo. Portanto, a fotografia, o cinema,
o vídeo e o computador seriam os representantes da sensibilidade artística ao
longo do século XX. E nos dias atuais a arte mídia está presente em toda parte
e convivemos diariamente com ela, como vemos nas imagens abaixo:
Podemos notar, desta forma, que as artes
reprodutíveis possuem um aspecto paradoxal, pois ao mesmo tempo em que
representam um produto resultante de uma expressão estética, fazem parte da
indústria do entretenimento de massa através de seus materiais ou veículos de exibição/difusão,
muitas vezes para propor-lhes uma alternativa crítica.
A introdução do computador na criação
artística afetou de maneira intensa todos os estágios da produção da imagem. O
seu maior impacto se deu no campo da materialidade ao transformar textos, imagens
e sons em código numérico, aproximando a arte da linguagem, tratando-a como informação.
Esses aspectos das imagens produzidas através de suportes digitais dão origem a
novas formas de representação que deslocam a relação olho- imagem-objeto e
inauguram poéticas sintéticas e numéricas ao prescindir da presença do objeto
durante a representação, tornando o dispositivo técnico um elemento do processo
criativo (PLAZA & TORRES, 1998).
Fonte de pesquisa:
Lopes,
Valter Frank de Mesquita. Tecnologia educacional aplicada às artes
visuais II. Coleção Artes Plásticas EaD, Curso de Licenciatura em Artes
Plásticas. Universidade Federal do Amazonas, 2008.
Disponível em: <http://www.artesplasticas.art.br/guignard/wp-content/uploads/2010/09/Caminhos_da_Producao_audiovisual_contemporanea.pdf>
Acesso em: 23 fev. 2013.
Disponível em:
<http://br.bing.com/images/search?q=imagens+de+arte+midia&id=222F4E21C0384F5BE3D5E11CA6ADF702E526FD9E&FORM=IQFRBA>
Acesso em: 23 fev. 2013.








