quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Arte mídia e as tecnologias de comunicação para a expressão gráfica.
A arte mídia é uma forma aportuguesada do inglês media arts, e designa “formas de expressão artística que se apropriam de recursos tecnológicos das mídias e da indústria do entretenimento em geral”, além de compreender quaisquer “experiências artísticas que utilizem os recursos tecnológicos recentemente desenvolvidos” (MACHADO, 2007).
Em acepção própria, a arte mídia é algo mais que a mera utilização de câmeras, computadores e sintetizadores na produção de arte, ou a simples inserção da arte em circuitos massivos como a televisão e a internet.  Quando entendemos de mídia em seu sentido nato, até as pinturas das cavernas do Paleolítico Superior são uma mídia, pois era assim que os primitivos comunicavam ou registravam os eventos que aconteciam em sua época, através de suas expressões artísticas.
 Muitas vezes nos enganamos quando pensamos que a concepção de arte mídia fica apenas em restringir sua aplicação às mídias eletrônicas de comunicação em massa. Contudo, arte mídia pode ser qualquer forma de expressão que utiliza as tecnologias existentes atualmente, vai desde a fotografia, passando pelo cinema até a videoarte, além do computador no campo da Infográfica. Segundo Arlindo Machado “A arte sempre foi produzida com os meios de seu tempo”. E assim como Bach e Stockhausen, que “buscavam extrair o máximo das possibilidades musicais de instrumentos recém-inventados e que davam forma a sensibilidade acústica de suas respectivas épocas”, outros artistas tem se esforçado em fazer o mesmo com os meios atuais.
A produção industrial de imagens se enquadra em um contexto de conhecimento e de economia que revela suas associações com a ciência, originando processos de reconstituição, intercâmbio, montagem e colagem, possibilitados pelas tecnologias associadas à fotografia, ao cinema, à televisão e ao vídeo. A criação industrial de imagens baseia-se na produção maquínica de uma matriz de representação e a consequente reprodução em massa de cópias. A fotografia e o cinema, junto à gravura, correspondem às “imagens técnicas” (MACHADO, 1994, p. 09), por produzirem suas representações imagéticas a partir de ferramentas que unem a produção de imagem ao uso de dispositivos técnicos. Na produção pós-industrial, são utilizados processos e dispositivos de natureza numérica (infografia e computação gráfica), também chamada digital, e fotônica (holografia) para a produção de informações visuais, verbais e sonoras, que são exibidas através dos mesmos aparatos técnicos utilizados na produção (Idem).
Benjamin (1994 [1936]) considera que a reprodução técnica reconfigurou a arte após as investidas que a fotografia e o cinema operaram sobre a expressão artística. Desde o seu surgimento, ambas as expressões geraram uma alteração no estatuto da arte que passou a compreender também os domínios das “artes tecnológicas”. Couchot (2003, p. 19) afirma que o surgimento de uma técnica não é fator determinante para o surgimento de uma nova forma de arte, mas a técnica impõe diretrizes que moldam uma nova percepção e oferece condições para uma nova lógica figurativa, que pode gerar uma nova expressão artística.
As tecnologias da televisão e do vídeo darão mais um passo na automatização dos processos de criação e reprodução das imagens. A imagem da televisão e as técnicas do vídeo coletivizam as imagens ao permitir que diferentes lugares em diferentes momentos assistam a uma mesma representação imagética. A transmissão ao vivo da TV baseia-se na sobre apresentação (COUCHOT, 2003, p. 82) e o advento do videoteipe permite a reprodução de imagens em um espaço-tempo distinto daquele em que acontece a transmissão da imagem. Esses dois aspectos permitem uma intensificação da percepção do real através das imagens das mídias por passarem a sensação de que exibem o real exatamente como ele é no momento da transmissão.
A utilização dos meios de comunicação na expressão artística é vista como uma característica inerente à arte: a de sempre utilizar os meios técnicos de seu tempo. Portanto, a fotografia, o cinema, o vídeo e o computador seriam os representantes da sensibilidade artística ao longo do século XX. E nos dias atuais a arte mídia está presente em toda parte e convivemos diariamente com ela, como vemos nas imagens abaixo:
 
 

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 Podemos notar, desta forma, que as artes reprodutíveis possuem um aspecto paradoxal, pois ao mesmo tempo em que representam um produto resultante de uma expressão estética, fazem parte da indústria do entretenimento de massa através de seus materiais ou veículos de exibição/difusão, muitas vezes para propor-lhes uma alternativa crítica.
A introdução do computador na criação artística afetou de maneira intensa todos os estágios da produção da imagem. O seu maior impacto se deu no campo da materialidade ao transformar textos, imagens e sons em código numérico, aproximando a arte da linguagem, tratando-a como informação. Esses aspectos das imagens produzidas através de suportes digitais dão origem a novas formas de representação que deslocam a relação olho- imagem-objeto e inauguram poéticas sintéticas e numéricas ao prescindir da presença do objeto durante a representação, tornando o dispositivo técnico um elemento do processo criativo (PLAZA & TORRES, 1998).
 
Fonte de pesquisa:
Lopes, Valter Frank de Mesquita.  Tecnologia educacional aplicada às artes visuais II. Coleção Artes Plásticas EaD, Curso de Licenciatura em Artes Plásticas. Universidade Federal do Amazonas, 2008.
Disponível em: <http://www.artesplasticas.art.br/guignard/wp-content/uploads/2010/09/Caminhos_da_Producao_audiovisual_contemporanea.pdf> Acesso em: 23 fev. 2013.
Disponível em: <http://br.bing.com/images/search?q=imagens+de+arte+midia&id=222F4E21C0384F5BE3D5E11CA6ADF702E526FD9E&FORM=IQFRBA> Acesso em: 23 fev. 2013.